Nogueira pecã: Uma grande alternativa para a propriedade rural

A cultura da nogueira pecan (Caryaillinoensis) é originária do sul dos Estados Unido e Norte do México. Foi introduzida no Brasil no estado de São Paulo no ano de 1870, portanto há mais de 140 anos, tendo seu cultivo comercial iniciado no Rio de Janeiro em 1915. Por ser planta de clima temperado, ao natural acabou migrando para os três estados do sul do Brasil, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde já é cultivada há mais de 100 anos.

 

Esta frutífera, onde a amêndoa é o produto consumido como alimento,  tem um mercado altamente promissor, uma vez que estimativas dão conta que próximo a 70% do consumo no país é oriundo de importação. Saliente-se que são somente três estados da federação em condições de produzir, e o restante do país para consumir o produto.

Em função da divulgação que vem obtendo a respeito de suas excelentes características do ponto de vista da sua comprovada eficácia na redução de índices prejudiciais à saúde, como o colesterol, dado que o óleo que produz é 90% insaturado, o seu consumo vem experimentando um sensível aumento no Brasil e em outros países. Além disto, esta amêndoa tem um sabor muito apreciado, sendo amplamente utilizada na confecção de pratos doces como tortas e sorvetes, quanto em diversas receitas de pratos salgados, conferindo um sabor todo especial aos alimentos.

Efetivamente, as perspectivas de mercado para este produto são amplamente favoráveis, tanto visando atender o consumo interno, onde as indústrias operam com ociosidade pela falta de matéria-prima, quanto para exportação, o que, no médio prazo, ainda é praticamente impossível, em função da sua baixa oferta.

Além disto, é cultura que se adapta muito bem a diferentes situações, sendo excelente opção para sombreamento de pastagens para ovinocultura ou bovinocultura de corte ou de leite. Outra utilização muito importante é para sombreamento de instalações, como aviários ou de pocilgas. A influência positiva da sombra é comprovada e imprescindível para a obtenção de bons resultados na criação. Além disto, se constitui em mais uma excelente alternativa de renda no mesmo espaço ocupado pela outra atividade. Pode também ser implantada em consorciação com culturas anuais, como soja, feijão, fumo, mandioca e outras, e perenes, como a erva-mate, cultura que tem sua qualidade e valor no mercado altamente favorecidos  quando cultivada à meia-sombra.

Determinadas cultivares atualmente oferecidas no mercado, com procedência garantida, tem apresentado uma excelente resistência a doenças e pragas, além de precocidade, iniciando a colheita aos 4 anos após implantação, diferente da chamada planta de pé-franco, cujo início da colheita é somente aos 10 anos de idade.

Outra vantagem significativa desta cultura é o seu baixo custo de implantação e manutenção, além da baixa necessidade de mão-de-obra. Em consequência dos baixos custos envolvidos e dos excelentes preços que alcança no mercado, apresenta uma rentabilidade bastante elevada, sendo opção tanto para pequenas, médias, como grandes propriedades. Considerando isto, o investimento realizado já tem condições de retorno integral a partir do sexto ano após implantação, existindo linhas de crédito para plantio com até 08 anos de carência e até 12 anos para quitação.

                Júlio Medeiros – Engenheiro Agrônomo